quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Esse vai pro livro...



Ventos brancos
Brancas lembranças
Flores amarelas
Amarelas esperanças

Na criação de um mundo puro
[para a emoção
Só há lugar para o roxo da paixão
Não para corações que não aparecem em espelhos
Corações que não são vermelhos

Na criação de um lar seguro
[para a alma
Só há lugar para a falta de cor
O preto que parece dor

Apenas parece,
Pois apenas os cegos (da alma) sabem,
Que não há cor para a dor

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Nossas tentativas em vão de esconder...
O que se faz com um amor que nada fertiliza
Mas que nunca se esteriliza?
Será apenas mais um sonho
Metade meu metade seu?
Você passa pela minha janela e não me vê
Eu passo pelos seus dias e não te vejo
Sonhamos acordados com o dia que esperamos nunca chegar
Chegaríamos a um final amargo, nus no meio do nada
Sempre cativo a mim, condenado ao meu lado
Sabemos demais
Mesmo de lados opostos.
Você passa e não me vê
Eu passo e não te vejo
Mas sabemos
Apenas eu posso
Apenas eu mostro
Apenas eu te levo lá.

Nada sabemos afinal não é meu querido?
Nada sabemos e preferimos continuar assim
Se soubéssemos o que faríamos?
Pra onde fugiríamos dessa vez?
Casar-se-ia comigo e iríamos para o oeste?
Ou esse era um plano para algum outro amor?
Outro amor meu ou seu?
Nada sabemos afinal
E continuaremos assim
Ate o fim de nossos dias
Sabendo que sabemos todos os nadas
Um do outro.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Para aquele que entender

Você ainda guarda meu segredo no fundo do armário,
Eu sei.
Porque conheço o fundo do seu armário
Seus sovineis empoeirados
Você não pode jogar fora meu segredo
Porque meu segredo guarda seu segredo
Ousamos querer conhecer o final da escuridão
E encontramos a chama
Queimei o meu braço direito e você o esquerdo
Juntamos nossos braços então.

Mas o nós incomoda o eu
E o eu está preso ao nós
E nós nos prendemos
E cantamos a alegria de estarmos presos
E dançamos na rua prateada de chuva
Dentro de nossa cela.

Ir do fim ao começo é uma viagem bem maior
Muito mais dura
Por uma estrada onde raramente amanhece
Durante a viagem dei por falta do meu segredo
Quis busca-lo
Mas sua casa está agora em um lugar entre cá e lá
Conheço a porta mas não posso toca-la
Meu segredo está aí
Mas aí eu já não existo mais
Mas é aí também que eu nunca irei morrer.

Conheço caminhos que ela não conhece
Caminhos que foram fechados quando eu parti
Por você me despi
Cobri a tua nudez com o que era meu
Fiquei nua em pleno o vento
Mas só você podia ver minha nudez
Tirei o alimento da minha boca para alimentar a sua fome
E enquanto você me engolia eu sorria.
Meu segredo estará para sempre contigo.
Porque só você me engoliu.
Em suas águas me afoguei na banheira de casa.

Por você entrei no mar
E por você sai do mar de alma nova
Mas meu coração é ainda aquele seu velho conhecido de buteco
Meu coração só entende o seu silencio.

Também sentiu aqueles centímetros sumirem?
Também sabia?
Também sentiu o nós antes do vazio?

Toda palavra tem um peso maior que a força de meus ombros
Por isso prefiro o silencio.
E as folhas em branco.

domingo, 29 de junho de 2008

( sem acentos e sem pontos)


Posso dizer tudo, menos que minha vida é monotona.
Tudo mudou, fiquei do avesso, mas estou muito bem assim.
Porém nao pense que minha essencia me deixou, ela esta aqui, no desejo mais simples, nas fantasias mais absurdas, no meu apaixonar pelos bebes que vejo todos os dias, é minha saudade de coisas antigas, saudade sem vontade de retornar.
2 meses para minha casa nova, e lá vou eu me virando pelo avesso...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A Menina, a Mulher e o Mar

I

Amanda se chamava Margarida, ou Margarida se chamava Amanda, não importa a ordem certa, e pouco importa muita coisa, pois também havia o mar. Margarida gostava de catar conchas, já Amanda, gostava de sentar nas pedras e sentir o vento nos cabelos e o mar gostava da presença delas.
Certa manhã Margarida andava pela praia, com uma sacola na mão catando o máximo de conchinhas que podia, por acidente o mar molhou suas saias e ela levou uma bronca da avó por isso, Amanda nunca se esquecera. Anos mais tarde Amanda chorou por amor na mesma praia, em frente ao mesmo mar e a avó não estava lá para consolá-la. Cansadas, as duas fugiram da vida e do mar, foram para longe de tudo que conheciam e lá eram apenas as duas.

- Amanda venha cá! – Disse a avó.
- Meu nome não é Amanda, é Margarida!
- Chega de besteira menina, seu nome é e sempre será Amanda.
E Margarida morreu um pouquinho. Amanda se fortalecia com os anos, mas sem nunca se separar de Margarida, apesar de por vezes se esquecer dela. Margarida por sua vez jamais se afastou de Amanda, a apoiando quando precisava substituir tristeza por alegria.
Com toda a vida dentro dela Margarida brincava com areia, conversava com as ondas e se esquecia que quem a chamava de Margarida já havia a deixado. Tentava e tentava mas não entendia por que ele havia ido embora. A avó dizia que era porque o céu o chamara, mas ele sempre dizia que nada era mais importante do que Margarida, então por que trocá-la pelo céu? Por anos Margarida (e Amanda) odiaram o céu, até perceberem que o céu e o mar eram uma coisa só, e todos tinham que se entregar a um dos dois um dia.

Amanda quando era muito pequena saiu para brincar no jardim, era tarde, como aquelas tardes com gosto de bolinho de chuva e cheiro de terra, tardes raras no mundo das pessoas que perderam o gosto pelas coisas, mas Amanda conhecia a vida agora e devia brincar no jardim, e sentir o cheiro dos bolinhos de chuva, e brincar com a terra e esquecer do tempo, que naquela época realmente não existia. Depois de alguns minutos (inexistentes na cabeça da menina) chegou a hora de chama-la, os bolinhos estavam prontos e as fadas haviam se cansado de brincar, ele sabia.
- Amanda, venha! – gritou o pai. Amanda voltou com uma margarida nos cabelos.
- Minha linda Margarida! E foi assim que Margarida nasceu.

Quando Margarida e Amanda ainda estavam misturadas o mundo parecia estranho, o pai já havia atendido o chamado do céu, a avó já não a esperava em casa com tortas de maça e a mãe nunca havia existido, havia ido para o mar quando ela ainda não era nem Amanda ao certo e nem Margarida. O vizinho parecia algo além de um gorducho chato que puxava suas tranças, mas elas já não sabiam ao certo quem ele era, porém às vezes, quando o olhar surgia diferente o coração delas disparava e Amanda foi crescendo dentro de Margarida. Margarida já não queria os mesmos vestidos, mas Amanda não queria deixá-los, já não sentavam no colo da avó, mas sentiam falta dele quando tudo parecia por demais cruel. E tudo parecia mais cruel agora, a chuva, as pessoas, não era mais menina, mas também não era mulher, era moça, coisa tão insossa, sem sentido aparente, algo entre ser e não ser, algo entre ser criança e crescer.
- Mas ela já é uma mocinha! – disse a tia.
Ser “mocinha” parecia pior do que ser moça, ser mocinha era ser uma moça antes da moça. O que é ser pequeno quando ainda se é meio? A tia ainda a chamava de Margarida, mas na visita seguinte (alguns meses depois) a chamava de Amanda.
Confusa sem saber de mais nada, nem de quem era o vizinho, nem de quem era Margarida e muito menos Amanda que ainda nem conhecia, foi até o mar perguntar e o mar respondeu que pouco importava, ela era, e isso era tudo. “Ser” não podia ser a resposta, devia haver mais do que ser, do que esperar o tempo vir e ajeitar as coisas, o céu tampouco sabia quem ela era, ou seriam “elas” ainda? Algum dia algum de nós deixa de ser plural?
Exaustas e tristes por nada saber deitaram na areia para o nada esquecer.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Talvez doa menos se eu pensar que foi um sonho, apenas um sonho...

domingo, 30 de setembro de 2007

Autodestruição é tão clichê.

(mas eu não consigo evitar)